Mariana, 34 anos, arquiteta, estava deitada após uma semana intensa de trabalho. Depois de vários dias dormindo pouco e consumindo mais café do que o habitual, percebeu uma sensação súbita de aceleração dos batimentos cardíacos. O coração parecia bater forte e rapidamente, acompanhado de mãos frias e preocupação crescente. Alguns minutos depois, os sintomas desapareceram espontaneamente.
Situações como essa são frequentes nos consultórios de cardiologia. A sensação de perceber o próprio coração batendo pode causar grande ansiedade e frequentemente leva à dúvida: trata-se de algo benigno ou de um problema cardíaco que exige investigação?
A resposta depende de diversos fatores, incluindo a idade, os sintomas associados, a presença de doenças cardíacas prévias e as características do episódio.
Palpitação é o termo utilizado para descrever a percepção dos próprios batimentos cardíacos. Os pacientes costumam relatar que o coração está acelerado, muito forte, irregular ou que parece “falhar” ocasionalmente.
Embora muitas pessoas associem palpitação a uma doença cardíaca grave, a realidade é que esse sintoma pode ter diversas causas, desde situações benignas até arritmias potencialmente relevantes.
Em indivíduos sem doença cardíaca estrutural, as causas mais comuns incluem privação de sono, estresse emocional, ansiedade, consumo excessivo de cafeína, bebidas energéticas, álcool, tabagismo e alguns medicamentos.
Além disso, condições clínicas como anemia, febre, hipertireoidismo e distúrbios metabólicos também podem provocar palpitações.
A maioria dos episódios de palpitação não representa uma emergência médica. Entretanto, algumas características aumentam a probabilidade de uma arritmia clinicamente significativa e justificam uma avaliação médica mais rápida.
Quando as palpitações são acompanhadas por algum desses sinais, torna-se fundamental uma avaliação cardiológica para identificar possíveis alterações do ritmo cardíaco.
A investigação começa com uma história clínica detalhada e um exame físico cuidadoso.
O eletrocardiograma (ECG) é geralmente o primeiro exame solicitado, pois permite identificar alterações do ritmo cardíaco quando o paciente está sintomático ou apresenta alterações persistentes.
Entretanto, como muitas arritmias ocorrem de forma intermitente, frequentemente são necessários exames que monitoram o ritmo cardíaco por períodos mais longos.
Em casos selecionados, testes ergométricos, monitorização prolongada por dispositivos vestíveis ou estudos eletrofisiológicos podem ser necessários.
A ansiedade está entre as causas mais frequentes de palpitação. Durante situações de estresse ou crises de ansiedade ocorre ativação do sistema nervoso simpático, com liberação de adrenalina e noradrenalina.
Essas substâncias aumentam a frequência cardíaca e a força de contração do coração, produzindo a sensação de batimentos acelerados ou mais intensos.
No entanto, é importante destacar que nem toda palpitação é causada por ansiedade. Muitas arritmias podem provocar sintomas semelhantes. Por isso, especialmente quando os episódios são recorrentes ou apresentam sinais de alerta, a avaliação médica continua sendo fundamental.
Na maioria dos casos, não.
Essa sensação costuma corresponder a extrassístoles, que são batimentos prematuros muito comuns na população geral. Pessoas saudáveis podem apresentar centenas de extrassístoles ao longo do dia sem qualquer repercussão clínica. Porém, é importante uma avaliação cardiológica para definir a frequência e origem desta arritmia.
Sim.
Durante crises de ansiedade ou ataques de pânico, a descarga de adrenalina pode provocar aceleração dos batimentos cardíacos mesmo quando a pessoa está sentada ou deitada.
Em muitos casos, sim.
Dispositivos capazes de registrar frequência cardíaca e eletrocardiograma podem documentar episódios de arritmia e fornecer informações úteis para a avaliação médica. No entanto, seus dados devem sempre ser interpretados dentro do contexto clínico.
Podem.
A cafeína é um estimulante que pode aumentar a percepção dos batimentos cardíacos e desencadear palpitações em indivíduos suscetíveis, especialmente quando consumida em grandes quantidades.
Na maioria das vezes, sim.
Entretanto, palpitações associadas ao exercício físico, especialmente quando acompanhadas por tontura, falta de ar excessiva, dor no peito ou redução da capacidade física, merecem investigação antes da continuidade dos treinos.
Na maioria das vezes, sim.
Entretanto, palpitações associadas ao exercício, especialmente quando acompanhadas por tontura, falta de ar excessiva, dor no peito ou redução da capacidade física, merecem investigação antes da continuidade dos treinos.
Embora muitas palpitações sejam benignas, apenas uma avaliação médica adequada pode determinar sua causa com segurança. Se os episódios forem recorrentes, ocorrerem sem explicação aparente ou estiverem associados a sintomas como tontura, desmaio, falta de ar ou dor no peito, uma consulta com o cardiologista é recomendada.
A identificação precoce de arritmias e outras doenças cardiovasculares permite tratamento adequado e maior segurança para o paciente.
Com acompanhamento especializado, é possível prevenir complicações, garantir diagnósticos rápidos e adotar o tratamento adequado para cuidar da sua saúde.