Dr. Fernando Arturo

Cardiologista em São Paulo

Dor no peito: como saber se é infarto?

Aprenda a identificar as características da dor cardíaca e saiba exatamente como agir diante de uma suspeita de infarto.
Uma pessoa de meia-idade segurando o peito com expressão de dor intensa, ilustrando um possível ataque cardíaco.

O caso de Roberto, um sintoma comum que merece atenção

Roberto, 56 anos, hipertenso e fumante, sentiu um desconforto no peito após o almoço de domingo. Parecia uma forte queimação na região do tórax. Convencido de que se tratava apenas de uma má digestão provocada pela refeição, tomou um antiácido e deitou-se no sofá. Cerca de duas horas depois, a dor tornou-se mais intensa, passou a irradiar para o braço esquerdo e foi acompanhada por suor frio e mal-estar importante. Quando finalmente procurou atendimento médico, Roberto estava sofrendo um infarto agudo do miocárdio.

Histórias como essa acontecem diariamente. Muitas pessoas associam o infarto exclusivamente a uma dor intensa e súbita no peito, quando, na realidade, a doença pode se manifestar de formas bastante variadas. Reconhecer os sinais de alerta e buscar ajuda rapidamente pode fazer toda a diferença para preservar a função do coração e evitar complicações graves.

Situações como essa são frequentes nos consultórios de cardiologia. A sensação de perceber o próprio coração batendo pode causar grande ansiedade e frequentemente leva à dúvida: trata-se de algo benigno ou de um problema cardíaco que exige investigação?

A resposta depende de diversos fatores, incluindo a idade, os sintomas associados, a presença de doenças cardíacas prévias e as características do episódio.

Como é a dor clássica de um infarto?

A dor causada pela obstrução de uma artéria coronária costuma apresentar algumas características típicas. Frequentemente é descrita como uma sensação de aperto, pressão, peso ou queimação no centro do peito. Muitos pacientes relatam a sensação de que há algo comprimindo o tórax ou de que existe um peso sobre o peito.

Esse desconforto pode irradiar para o braço esquerdo, ambos os braços, mandíbula, pescoço, costas ou região superior do abdome. Em geral, dura mais do que alguns minutos, pode surgir tanto durante esforços quanto em repouso e não melhora ao mudar a posição do corpo ou movimentar os braços.

Além da dor, é comum a presença de sintomas associados ao infarto, como suor frio, falta de ar, náuseas, vômitos, tontura, palidez ou sensação de desmaio iminente.

Embora essa seja a apresentação clássica, nem todo infarto se manifesta dessa forma. Mulheres, idosos e pessoas com diabetes frequentemente apresentam sintomas menos característicos, o que pode atrasar o diagnóstico. Em alguns casos, a falta de ar, a fadiga intensa ou um mal-estar inexplicável podem ser os principais sinais de alerta.

Nem toda dor no peito é infarto

A dor torácica é uma das queixas mais frequentes nos serviços de emergência, mas a maioria dos casos não está relacionada a um infarto. Diversas condições podem provocar desconforto na região do tórax, algumas benignas e outras potencialmente graves.

As dores musculares, por exemplo, costumam piorar com determinados movimentos ou quando o local é pressionado. Problemas gastrointestinais, como refluxo gastroesofágico e gastrite, frequentemente provocam sensação de queimação relacionada à alimentação e podem melhorar com medicamentos antiácidos.

A ansiedade também pode causar desconforto torácico, geralmente acompanhado por palpitações, sensação de falta de ar, respiração acelerada e formigamentos nas mãos ou ao redor da boca.

Apesar dessas diferenças, é importante lembrar que nenhuma característica isolada é capaz de excluir completamente uma causa cardíaca. Por isso, qualquer dor torácica nova, persistente ou diferente do habitual merece atenção médica, especialmente em pessoas com fatores de risco cardiovasculares.

Quando a dor no peito exige avaliação imediata?

Alguns sinais indicam maior probabilidade de uma condição grave e exigem avaliação médica urgente

Procure atendimento imediatamente se a dor:

Nem sempre é possível distinguir sozinho uma dor muscular, um problema digestivo ou uma condição cardíaca. Na dúvida, a atitude mais segura é procurar avaliação médica. Em cardiologia, é preferível descartar um problema grave do que atrasar o diagnóstico de uma doença potencialmente fatal.

Além do infarto, outras doenças potencialmente graves podem causar dor no peito, como embolia pulmonar, dissecção aguda da aorta, pericardite e pneumotórax. Por esse motivo, o diagnóstico correto deve ser realizado por um profissional de saúde.

O que fazer em caso de suspeita de infarto?

Diante da suspeita de infarto, o fator mais importante é o tempo. Quanto mais rapidamente a artéria obstruída for identificada e tratada, maior será a quantidade de músculo cardíaco preservada.

A recomendação é procurar atendimento médico o mais rápido possível.

Não espere os sintomas melhorarem espontaneamente e não tente dirigir se estiver apresentando dor intensa, falta de ar, tontura ou mal-estar importante.

Atualmente, as diretrizes recomendam que todo paciente com suspeita de síndrome coronariana aguda realize um eletrocardiograma nos primeiros minutos após a chegada ao serviço de emergência, uma vez que a rapidez do diagnóstico está diretamente relacionada às chances de recuperação.

Conclusão

A dor no peito nunca deve ser ignorada. Embora muitas vezes tenha uma causa benigna, ela também pode ser o primeiro sinal de doenças graves, como o infarto.

Reconhecer os sintomas de alerta e procurar atendimento rapidamente pode fazer toda a diferença para preservar a saúde do coração e evitar complicações.

Mais importante ainda é prevenir. Controlar fatores de risco como pressão alta, colesterol elevado, diabetes, sedentarismo e tabagismo continua sendo a melhor forma de reduzir o risco de problemas cardiovasculares.

Mantenha seu acompanhamento médico em dia. Ter um cardiologista de confiança e realizar avaliiações periódicas são medidas simples que ajudam a identificar riscos precocemente e evitar surpresas no futuro.

Agende sua consulta e cuide do seu coração antes que os sintomas apareçam.

Perguntas

Frequentes

Uma pontada rápida no peito, que dura apenas alguns segundos, pode ser infarto?

É pouco provável.

A dor do infarto geralmente dura vários minutos e tende a ser contínua. Pontadas muito rápidas, que surgem e desaparecem em segundos, costumam estar associadas a causas musculares, inflamações da parede torácica ou outras condições benignas. Ainda assim, sintomas persistentes ou recorrentes devem ser avaliados por um médico.

É verdade que o infarto nas mulheres pode apresentar sintomas diferentes?

Sim.

Mulheres frequentemente apresentam sintomas menos típicos do que os homens. Falta de ar, fadiga intensa, náuseas, dor nas costas, desconforto na região do estômago ou sensação de mal-estar podem ser as manifestações predominantes, mesmo sem a clássica dor intensa no peito.

A dor de infarto pode parecer uma dor de estômago?

Sim.

Alguns infartos, especialmente aqueles que acometem a parede inferior do coração, podem causar desconforto na região superior do abdome, sensação de queimação, indigestão, náuseas ou sintomas muito semelhantes aos do refluxo gastroesofágico.

O estresse emocional sozinho pode provocar um infarto?

O estresse intenso e prolongado pode contribuir para o aumento da pressão arterial, da frequência cardíaca e da inflamação vascular, favorecendo a instabilização de placas de gordura já existentes nas artérias coronárias.

Em situações extremas, também pode ocorrer a cardiomiopatia de Takotsubo, conhecida como Síndrome do Coração Partido, uma condição que simula um infarto e pode provocar disfunção importante do coração.

Se meus exames de rotina estavam normais há seis meses, posso descartar um infarto hoje?

Não.

Exames normais reduzem a probabilidade de doença cardiovascular significativa naquele momento, mas não eliminam completamente o risco futuro. As placas de gordura nas artérias podem evoluir ao longo do tempo ou tornar-se instáveis de forma súbita. Por isso, qualquer sintoma compatível com infarto deve ser valorizado e investigado imediatamente.

Você já sentiu cansaço frequente, dor no peito ou tem histórico familiar de problemas cardíacos?

Esses sinais não devem ser ignorados.

Com acompanhamento especializado, é possível prevenir complicações, garantir diagnósticos rápidos e adotar o tratamento adequado para cuidar da sua saúde.

No consultório do Dr. Fernando Arturo, você recebe atenção integral e acompanhamento contínuo para viver com mais tranquilidade e qualidade de vida.
Dr. Fernando Arturo, médico cardiologista formado pela USP e especialista pelo InCor, sorrindo de jaleco branco em seu consultório na Vila Mariana.